Rádio Club de Angra

A Voz da Terceira

A criação de um posto emissor de rádio em Angra do Heroísmo partiu de Belmiro da Silva Rocha e de Fausto Rodrigues Cristovam, que em outubro de 1946 formaram uma sociedade de amadores de Telegrafia Sem Fios, visando construir uma Emissora de Radiodifusão destinada à propaganda das terras açorianas.

Juntaram-se-lhes os doze sócios fundadores do Rádio Club de Angra e, a 3 de abril de 1947, nascia “A Voz da Terceira”. Que desde a primeira hora teve o apoio das autoridades administrativas, dos intelectuais e artistas angrenses, bem como da população em geral. Seguiram-se anos de grande expansão e reconhecimento, cobrindo o arquipélago e unindo todas as suas ilhas e população através da informação geral e regional. Através da cultura, da musica, do teatro-radiofónico, do lazer, do desporto, da religião. E até da partilha na dor e da solidariedade, em momentos de catástrofe e aflição, como a erupção vulcânica dos Capelinhos (1957), a crise sísmica de São Jorge (1964), e mais tarde o Terramoto de 1 de janeiro (1980). 

O RCA estreitou distâncias. Aproximou pessoas e comunidades. Lançou os primeiros alicerces da ideia de unidade e da identidade regional.

Deve-se ao Tenente-Coronel José Agostinho, que o escreveu no “Diário Insular”, o título de “A Voz da Terceira”. Sendo que o deputado Manuel Amorim Sousa Meneses o proclamou, na Assembleia Nacional, como “Voz Portuguesa no Atlântico”.

Nas suas três primeiras décadas, o RCA alcançou todas as ilhas do Grupo Central, chegou depois a São Miguel e Santa Maria, alcançou as Flores e o Corvo. Viria mesmo a ouvir-se na Dinamarca e na Suécia (1956), na Madeira e no Continente (Estoril e Coimbra), na No Rádio Clube de Angra estiveram todos os melhores jornalistas e radialistas locais. A informação chegava a Angra de todas as ilhas, e de lá partia, via rádio, para todas as outras. Não houve artista da música clássica e ligeira, ou do teatro que por lá não passasse. Pela primeira vez na História dos Açores, o sentimento e a vivência de constituírem uma só e única região era real. Não houve artista da música clássica e ligeira e do teatro que por aqui passasse que o Rádio Clube de Angra não lhe levasse a arte, o som e a voz aos quatro cantos do arquipélago.

O RCA foi também a primeira estação de rádio dos Açores a transmitir uma cerimónia religiosa, em 1952. Até hoje, aos domingos, é transmitida a Eucaristia da Sé Catedral.

Em 23 de Fevereiro de 1973 o Presidente da Republica e Grão-Mestre das Ordens Portuguesas conferiu ao Rádio Clube de Angra o título de Membro Honorário da Ordem de Benemerência.

O 25 de Abril também deixou marcas no RCA, que não ficou imune a alguns extremismos da altura, tendo a força do civismo levando a melhor, por entre alguns sofrimentos humanos e prejuízos materiais.

Em 1982, o Governo Regional dos Açores declarou o Rádio Club de Angra como “pessoa coletiva de utilidade pública”. O mesmo Governo Regional haveria de suportar a construção da magnifica e ampla sede, inaugurada a 25 de Junho de 1987. Atualmente, o RCA está licenciado em AM (909 KHz) e FM (89.6, 44.7 e 101.1), emitindo online em www.rcangra.com e tendo uma movimentada ação nas redes sociais.

Nos últimos 30 anos, têm sido vários os desafios para uma casa de grandes tradições, que foi conseguindo sobreviver graças ao muito trabalho e esforço das suas sucessivas equipas dirigentes. Assim continuará a ser. Tem quase sete décadas, a “Voz da Terceira”.