António Variações cantou para o RCA e faria hoje 74 anos

2018-12-03

António Variações cantou para o RCA e faria hoje 74 anos

António Joaquim Rodrigues Ribeiro se fosse vivo, faria, esta segunda-feira, 3 de dezembro, 74 anos de vida. Eternizado como António Variações, nasceu em Amares (Braga), a 3 de dezembro de 1944, e faleceu, em Lisboa, a 13 de junho de 1984.

Irreverente cantor e compositor, um dos últimos concertos que deu foi num espetáculo do Cabaz de Natal do Rádio Clube de Angra, em dezembro de 1983, no Teatro Angrense.

A sua curta discografia, fruto de uma vida de histórias para contar, mas só com 39 anos, ainda hoje continua a influenciar a música portuguesa. Várias têm sido as homenagens que lhe têm sido prestadas (com destaque para o projeto “Humanos”, que, em 2004, juntou Camané, David Fonseca, Manuela Azevedo, Hélder Gonçalves, Nuno Rafael, João Cardoso e Sérgio Nascimento, a interpretarem canções de Variações que nunca tinham sido editadas).

Filho de camponeses, “Tonito” (como a mãe lhe chamava) tinha 11 irmãos. A sua infância foi dividida entre os estudos e o trabalho no campo, para ajudar os pais. O pai tocava cavaquinho e acordeão e foi a primeira inspiração de Variações que, desde cedo, revelou paixão pela música, nomeadamente em romarias e no folclore.

Aos 12 anos partiu para Lisboa. Na capital trabalhou como aprendiz de escritório, balconista, caixeiro e barbeiro. Seguiu-se o serviço militar, em Angola, e a aventura pelo estrangeiro (Londres, em 1975, e Amesterdão, meses depois), onde descobriu um novo mundo, querendo trazer para Portugal uma nova maneira de viver. Aliás, foi na Holanda que aprendeu a profissão de barbeiro que, mais tarde, exerceu em Lisboa.

Variações foi admitido no Ayer, o primeiro cabeleireiro unissexo a funcionar em Portugal. Depois passou ainda por um salão num Centro Comercial e só mais tarde abriu a sua própria barbearia, na baixa de Lisboa.

Entretanto, deu igualmente início aos espetáculos com o grupo “Variações”, atraindo rapidamente as atenções. Por um lado, o seu visual excêntrico não passava despercebido e, por outro, o seu estilo musical combinava vários géneros, como rock, pop, blues ou fado. Em 1978 assinou contrato com a Valentim de Carvalho.

Em 1981, sem qualquer música editada, foi ao “Passeios dos Alegres” (programa da RTP apresentado por Júlio Isidro) – vestindo um pijama com ursinhos e coelhinhos. A sua música e o seu estilo próprios e inconfundíveis fizeram com que depressa alcançasse a fama.

Editou o primeiro single com os temas “Povo que Lavas no Rio”, de Amália Rodrigues (a sua maior referência), e “Estou Além”. Depois gravou o seu primeiro LP (“Anjo da Guarda”) com 10 faixas, todas de sua autoria, onde se destacaram os êxitos “É p´ra Amanhã” e “O Corpo É que Paga”.

Em fevereiro de 1984, lançou o seu segundo trabalho, intitulado “Dar e Receber”. Depois disso, Variações apareceu, pela última vez, em público, no programa televisivo “A Festa Continua”, também com Júlio Isidro. Foi a única interpretação na televisão das faixas do novo disco, usando o mesmo pijama com ursinhos e coelhinhos que usou na sua primeira aparição televisiva.

Quando cantou pela última vez em público (Queima das Fitas de Coimbra, a 17 de maio de 1984) já estava gravemente doente. Um dia depois desta atuação foi levado para o Hospital devido a um problema brônquico-asmático.

Quando a “Canção de Engate” invadiu as rádios, já António Variações se encontrava internado. Do Hospital só saiu porque foi transferido para a Clínica da Cruz Vermelha, onde veio a falecer a 13 de junho, vítima de uma broncopneumonia.

A 31 de maio de 2014, no Rock In Rio Lisboa, foi-lhe prestada homenagem pelos músicos Linda Martini, Gisela João, Rui Pregal da Cunha e Deolinda, recordando os 30 anos do desaparecimento do cantor e compositor. Ainda em 2014, a Banda Filarmónica de Idanha-a-Nova prestou tributo a Variações, num evento que contou com a contribuição da família do artista e a participação especial de Lena D’Água. O tributo contou com os 90 músicos da Banda, entre os quais, estiveram as vozes de Jaime Ribeiro e Luís Ribeiro (irmãos de António Variações), Jaime Rafael Ribeiro (sobrinho) e Rui Aziago, também cantor.

Em 2019 (ano que o cantor celebraria os 75 anos de vida) estreará no cinema o filme com o título “Variações”. O ator Sérgio Praia encarna a personagem, do filme do qual o cineasta João Maia é realizador e guionista.