Transporte de carga aérea assegurado por privados 3 vezes por semana nas Lajes

2018-12-05

Transporte de carga aérea assegurado por privados 3 vezes por semana nas Lajes

O consórcio MAIS – Madeira Air Integrated Solutions –, está, desde ontem, a garantir uma operação de transporte aéreo de carga entre Lisboa e Ponta Delgada, com extensão às Lajes, três vezes por semana.

Após dois adiamentos por razões técnicas e operacionais, o consórcio que junta a companhia aérea Swiftair, o broker de aviação ALS e a empresa logística madeirense Loginsular, iniciou assim uma operação há muito ansiada pelos empresários açorianos, garantindo o transporte aéreo de carga entre Lisboa, Ponta Delgada e Lajes.

Utilizando um avião cargueiro com capacidade para oito toneladas, a MAIS vai garantir cinco ligações semanais entre Lisboa e Ponta Delgada, com uma extensão ao aeroporto das Lajes em três desses dias.

O objetivo da empresa é atingir os 75% de ocupação do avião cargueiro nos primeiros três meses de operação. António Beirão, diretor executivo da empresa, diz que “tem condições de oferecer um produto diferenciado a preços de mercado, para servir a economia regional e acrescentar valor de uma forma direta aos produtos da Região”.

O cargueiro da MAIS vai transportar correio, além de mercadorias. Segundo pesquisas de mercado, a operação vai focar-se em trazer do continente correio expresso, produtos comercializados online, transporte de produtos perecíveis ou de peças para reparações urgentes. Já dos Açores para o continente, António Beirão revela que, “o pescado é fundamental”, mas, sustenta que “há outros setores da economia que devem começar a olhar para a oportunidade que têm e para o valor acrescentado que podem ter nalguns produtos, se passarem a transportá-los por via aérea em vez de via marítima”, nomeadamente nas áreas agrícola e florícola.

O consórcio MAIS tem acordos com a Ibéria e a British Airways para fazer chegar a outros mercados os produtos açorianos para vários destinos na Europa, Extremo Oriente, ou Médio Oriente, sem haver transferência de agentes de ‘handling’ e reemissão de documentação.

Com a SATA, o Consórcio MAIS espera “em breve ter ocasião para celebrar um acordo também no sentido de partilharmos algumas rotas”.

Sobre a duração da operação, António Beirão assegura a sua realização, pelo menos, até ao final do próximo ano.

Importa realçar que esta operação é completamente privada, ou seja, não está abrangida pelo concurso público internacional de serviço público de transporte de carga aérea entre o Continente e os Açores, que, desde 2015, tem sido lançado pelo Governo da República, mas que não tem tido interessados.

Neste sentido, o diretor executivo do consórcio MAIS considera que lançar um concurso público para a carga aérea sujeita a Obrigações de Serviço Público “não faz agora qualquer sentido”, acrescentando, no entanto, que o consórcio gostaria de ver apoiadas as ligações à ilha Terceira.

O Governo Regional já congratulou o consórcio pela operação, mas a Direção Regional dos Transportes fez saber que, “na perspetiva do Governo, são as Obrigações de Serviço Público que dão garantia de previsibilidade em termos de continuidade, regularidade, frequência e capacidade de serviço”, e “que garantem os encaminhamentos de carga e, portanto, uma igualdade tarifária para todas as ilhas que compõem o arquipélago”.