2019-01-28
Esta segunda-feira, dia 28 de janeiro, realiza-se a Assembleia Geral do Rádio Clube de Angra (RCA), visando a aprovação das contas da gerência de 2018 e a eleição dos corpos gerentes para o triénio 2019-2022.
A reunião magna dos associados da “Voz da Terceira” realiza-se pelas 19h30, no Auditório do edíficio sede da Instituição.
Ao ato eleitoral desta noite candidata-se apenas uma lista, que conta com os nomes de Pedro Ferreira, Miguel de Sousa Azevedo, Guilhermina Silva, Francisco Câmara, Pilar Belerique e Lidia Góis (Direção), Jorge Silva, Alberto Soares e Carlos Meneses (Assembleia Geral) e Nuno Melo Alves, João Aranda e Silva e Eduarda Borba (Conselho Fiscal).
Aqui pode ouvir a notícia que a Jornalista Andreia Pimentel elaborou sobre a Assembleia Geral do RCA.
Abaixo, transcreve-se uma entrevista que o atual Presidente da Direção do RCA, Pedro Ferreira, concedeu ao jornal “Diário Insular” do passado sábado:
O Rádio Clube de Angra (RCA) vai a eleições na próxima segunda-feira, dia 28. Os atuais órgãos recandidatam-se? Existem outras listas concorrentes?
Os atuais dirigentes do RCA vão avançar com uma recandidatura aos corpos gerentes da Voz da Terceira. Pelo que sei, desta vez, só foi apresentada uma lista. Depois de levarem o RCA ao vexame de ser condenado judicialmente, pela primeira vez na sua história, parece que já não há interesse por parte de alguns sócios. Virtudes da democracia e da liberdade!
Quais os motivos porque se recandidatam a novo mandato?
Há 3 anos apresentámos aos sócios um conjunto de premissas que visavam colocar o RCA na linha de preferência do público. Hoje, as pessoas gostam de ouvir o RCA. Porém, o processo em tribunal e as sucessivas avarias técnicas, impediram-nos de concretizar na íntegra o projeto. Assim, existem passos que precisam ser dados e o maior deles é encontrar forma de assegurar a sustentabilidade financeira da Instituição. Mesmo fechando o ano com um volume de negócios de mais de 83 mil €, o RCA tem um resultado líquido negativo superior a 24 mil €. Se não forem encontradas novas fontes de financiamento e não houver uma nova predisposição das entidades públicas em apoiar o Rádio Clube de Angra, depois do verão, em setembro/outubro, voltaremos ao triste e preocupante cenário de não ter dinheiro para pagar a funcionários e outros encargos. É urgente o envolvimento dos sócios.
A situação da Instituição é periclitante. Têm-se debatido muito os apoios à comunicação social. Que opinião tem sobre o assunto?
Há quem defenda financiamento 100% público e quem não queira qualquer apoio público. Sou da opinião que é preciso existir uma partilha entre privado e público. O problema é que, excetuando raros bons exemplos, as empresas da ilha continuam a não investir em publicidade. Apesar do aumento de receitas publicitárias, neste momento, cobrem apenas os custos com pessoal (e não são todos). O outro problema é que as entidades públicas enchem a boca a dizer que têm sistemas de incentivos que, na prática, não servem. O PROMEDIA e as verbas geridas pela Região relativas aos apoios do Estado são desajustadas das verdadeiras necessidades das rádios e dos jornais. Um exemplo: todas as avarias que o RCA teve no último ano obrigaram a investimentos de 30 mil € (sem falar nas obras na sede social). Todos os equipamentos necessários para ter uma rádio a emitir são muito caros, não existem nos Açores, como também temos que mandar vir de fora os técnicos, mas nenhuma destas despesas (as mais importantes) podem ser candidatadas a qualquer tipo de apoio. Importa realizar uma discussão séria sobre o PROMEDIA. Se é só para dizer que têm, então é melhor não ter, beneficiando mais uns do que outros. Importa também que os Municípios tenham outra predisposição para apoiar os órgãos de comunicação social existentes e com décadas de história. Não quero coartar a liberdade de qualquer um criar um blogue, um canal no youtube ou um site que replica notas de imprensa vindas dos gabinetes políticos, mas custa-me verificar que as nossas autarquias estão muito vocacionadas para apoiar canais de comunicação cuja competência é muito duvidosa. Hoje financiam-se, altamente, novos canais de comunicação para eles serem meios de propaganda dos poderes políticos, em vez de apoiar, com regras que sirvam verdadeiramente, o aprofundamento da democracia. Sem comunicação social digna deste nome, a democracia apodrece todos os dias mais um pouco. É também urgente criar um regime claro para a publicidade institucional. Julgo que, dadas as especificidades da Região, as verbas da taxa de audiovisual deveriam ser repartidas pela comunicação social privada das ilhas e o serviço público da RTP ser garantido totalmente pela Região.